reunião do Ponto de Cultura Bacamarte: Tiro da Paz

reunião do Ponto de Cultura Bacamarte: Tiro da Paz
SOCIEDADE DOS BACAMARTEIROS DO CABO

ENCONTRO ESTADUAL DOS BACAMARTEIROS EM FLORES REAFIRMA FORÇA DA MANIFESTAÇÃO EM PERNAMBUCO

Aconteceu, no dia 11 de dezembro, o Encontro Estadual dos Bacamarteiros de Pernambuco, organizado pela Fundação Pedro Daniel, no distrito de Fátima, na pessoa do Dr. Nelson Tadeu. Além da palestra de abertura, tratando da condição atual do bacamarte em Pernambuco, proferida por Ivan Marinho, presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, o encontro teve o privilégio de contar com palestra do Ten. Humberto Teixeira sobre legislação e regulamentos relacionados ao bacamartismo.

No segundo momento os bacamarteiros discutiram sobre a fundação da Federação Pernambucana de Bacamarte e, por aclamação, decidiram que, no dia 29 de janeiro, na cidade do Bonito, será elaborado o estatuto da federação.

É muito importante que haja a participação de todas as lideranças bacamarteiras do estado, a fim de que as resoluções possam abranger todo o espectro de particularidades regionais, bem como para fortalecer a iniciativa que, sobretudo, pretende ampliar a comunicação, a formação técnica de produtores culturais na área e a afirmação visível de que o bacamartismo em Pernambuco é um exemplo de grande fraternidade popular.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Encontro em Flores

Nenhum comentário:

SOBRE PROCESSO JUDICIAL DO ARTESÃO DE BACAMARTE LENILSON FERREIRA

Dia 06 de agosto aconteceu a primeira audiência com o artesão de bacamarte Lenilson Ferreira da Silva. O caso da prisão de Lenilson foi comentado neste blog em edições anteriores (vide).

Estiveram presentes à audiência a juíza Drª Jacira, o promotor George Vieira, o réu Lenilson e as testemunhas de defesa Cel. Carlos Nogueira, o presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, Ivan Marinho, o presidente da Associação de Bacamarteiros de Abreu e Lima, José Carlos (Boy) e um senhor amigo da família do artesão que não me vem o nome. As testemunhas de acusação, um soldado e um cabo da PM, faltaram.

Recolhidos os testemunhos de defesa, resta aguardar a audiência com os acusadores para terminarmos de vez com este caso que tanto tem prejudicado o folguedo do Bacamarte em Pernambuco.

Em resposta ao pedido de mudança no decreto que regulamenta Estatuto do Desarmamento, feito pela Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo – SOBAC para o presidente da república, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, através do Ministério da Cultura, tivemos o De Acordo tanto do Ministério da Cultura quanto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o pedido foi encaminhado ao Ministério da Justiça e está sob a análise do Dr. Aldo Campos da Costa, assessor do ministro. Existe também a possibilidade de patrimonialização nacional do brinquedo.

É importante registrar, também, que assessorado pela SOBAC, o gabinete do deputado estadual (PT) Sérgio Leite encaminhou projeto de lei de patrimonialização material e imaterial do bacamarte e dos bacamarteiros no estado de Pernambuco.

Viva o Bacamarte Pernambucano!



Ivan Marinho de Barros Filho

Professor, especialista em Economia da Cultura e presidente da SOBAC.

Encontro Pernambucano de Bacamarteiros

Aconteceu, no dia 20 de março, o VI Encontro pernambucano de Bacamarteiros. O evento contou com a representação do Exército Brasileiro, Cel. Nogueira, com o dono da Fábrica de Pólvora Elefante, Carlos Arthur, com a Representação Regional do Ministério da Cultura, Augusta, com representante do legislativo estadual, Dep. Sérgio Leite(PT) e com várias lideranças do folguedo no estado, bem como com dez pelotões de bacamarteiros, reunindo cerca de 500 brincantes.

O Encontro reafirmou a força do brinquedo e o repúdio às discriminações, como as que acontecem no Cabo de Stº Agostinho e às ações policiais e judiciais que, equivocadamente, têm caído sobre a manifestação.

O IV Encontro, com um mínimo de investimento público/privado, mostrou como é forte o sentimento fraterno dos bacamarteiros de Pernambuco, que vieram por conta própria festejar a vida e o prazer do sentimento gratuito.

NA PISADA DO BACAMARTE

O encontro de quatro grupos de bacamarteiros no ano de 2007 (Cabo, Abreu e Lima, Tamandaré e Bonito), apoiado pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, no evento intitulado Na Pisada do Bacamarte, trouxe à tona a importância do brinquedo e as discussões sobre seu estado atual e estratégias para seu fomento e desenvolvimento. Naquele mesmo ano foi aceito um anti-projeto de pesquisa que trata da cadeia produtiva e das relações institucionais do Bacamarte pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) através da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), garantindo uma vaga no curso de Economia da Cultura. O encontro teve cobertura dos principais jornais do estado e da mídia televisiva e de rádio.
Além disso, alguns grupos começaram a se reunir sistematicamente, no sentido de organizar a Federação Pernambucana de Bacamarte e está sendo apresentado no FUNCULTURA o projeto de Encontro Pernambucano de Bacamarte.
Este ano o evento acontecerá a partir das 15 horas do dia 18 de junho, quarta-feira, quando sairá da Praça Maciel Pinheiro em direção ao Marco Zero (pela r. da Imperatriz e Nova) e contará com a participação dos grupos de Bonito, Cabo, Abreu e Lima e Cupira.
O brinquedo tem caráter inclusivo, atingindo desde as crianças como os velhos e, alguns dados ainda empíricos, fazem notar seu crescimento em número e qualidade nestes últimos anos.

BACAMARTE: O TIRO DA PAZ

Muitas são as especulações em torno da origem do Brinquedo Bacamarte. Concentra-se, com mais rigor, a versão de que a brincadeira tem origem nas comemorações dos que voltaram da genocida Guerra do Paraguai. Com relação à arma grande parte dos pesquisadores opina que tem sua versão original no Clavinote holandês do séc. XVII ou na Granadeira do Sistema Miniée francês, de meados do séc XIX.A arma é citada em Os Sertões, por Euclides da Cunha, como parte do arsenal bélico dos “fanáticos” na histórica e altiva Canudos do beato Antônio Conselheiro.Em 1966, o I.J.N.P.S. publicou, de Olímpio Bonald Neto, o livro Bacamarte, Pólvora e Povo, pelas Edições Arquimedes – RJ, desencadeando debates e estudos sobre o assunto.Depois de longo período de ações espontâneas, às vezes de até um único indivíduo, surgiram grupos no sertão do estado, vindo a predominar, motivados pela vocação artesanal e comercial, na Princesa do Agreste, como é conhecida a cidade de Caruaru.Estima-se que em 1930 cerca de 600 homens foram vistos, “vestidos de mescla azul, alpercatas e chapéus de palha quebrados na testa”, desfilando “pela rua da Matriz, sob o comando do fazendeiro Antônio Martins, então apaixonado pelos tiros no Monte Bom Jesus”, nos relata Olímpio Bonald.Nos comunga a pesquisa supracitada que “José Martins Filho, descendente de grande fazendeiro da região” agrestina “desde criança ouvia os mais velhos referirem-se aos atiradores de João Barbosa, avô do cap. Eliel, que viveu entre os fins do século XIX e os primeiros decênios do século XX”.Muito estreita é relação do brinquedo com o misticismo religioso e, tanto em juazeiro quanto em São Severino dos Ramos, “os romeiros detonam as suas armas saldando dívidas de saúde ou de fortuna”. Grande parte dos grupos cumpre ritual religioso de apresentação das armas em frente a igrejas e de saudações aos santos padroeiros ou festejados.Muitos líderes e atiradores marcaram presença em suas estâncias tornando-se vultos das histórias oral e escrita dos povos, como o cap. Eliel do 333 e o major Emídio do Ouro do Batalhão Independente, que substituiu o cap. Eliel quando este se ausentou, forçado pela sina malograda dos retirantes em busca da sobrevivência, para terras que não a sua.Encurtando a história, de forma espontânea e como se a compensar os infortúnios e desilusões do até hoje ultrajado povo brasileiro, a brincadeira chegou ao séc. XX, ocupou espaços urbanos, como o Sítio da Trindade, o Caxangá Golf Club, o Pátio de S. Pedro... E, como pólo industrial em ascensão desde a década de 1950, o Cabo, a partir do encontro de sete emigrantes sertanejos e agrestinos e um cabense, iniciou-se o grupo no município, formando a primeira Sociedade de Bacamarteiros enquanto pessoa jurídica em 1º de maio de 1966, existente até hoje.Além desses aspectos de organização, como o estatuto e a orientação regimental, o Cabo inovou com suas armas niqueladas e um corpo de enfermagem para atendimento de primeiros socorros.A Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, comandada à época pelo torneiro mecânico Zé da Banha, se tornou um dos maiores grupos do estado e efetivou participação de destaque nos festejos juninos de toda região metropolitana, principalmente na capital.É importante lembrar que, antes do Zé da Banha, muitos bacamartistas isolados detonaram suas riunas no nosso território, tendo na figura de Manuel Pão sua maior expressão, remontando os idos de 1870, como foi resgatado pelo historiador Israel Felipe no Arquivo Público – imprensa oficial, Recife, 1962, pág. 244, e publicado na sua minuciosa História do Cabo.Infelizmente, no ano passado, cinco pessoas atiraram nos Trens do Forró em detrimento da tradicional Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, que depende desses contratos sazonais para garantir o desenvolvimento do grupo. Exclusão como aquela nos tira do pário de pujança onde estivemos e que hoje se reserva a grupos de municípios sensíveis a causa da cultura nacional.Este ano a Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo abriu a maior festa da cultura regional, a Festa da Lavadeira, participou da organização e vai compor o Encontro de Bacamarteiros do Recife, promovido pela Fundação de Cultura, do Encontro de Bonito, de Moreno e de Abreu e Lima.

A pesquisa para elaboração deste texto foi feita na obra Bacamarte, Pólvora e Povo de Olímpio Bonald Neto.

Prof. Ivan Marinho: Presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, artista plástico, professor, especialista em Economia da Cultura pela UFRGS.
ivanmarinhofilho@gmail.com