reunião do Ponto de Cultura Bacamarte: Tiro da Paz

reunião do Ponto de Cultura Bacamarte: Tiro da Paz
SOCIEDADE DOS BACAMARTEIROS DO CABO

ENCONTRO ESTADUAL DOS BACAMARTEIROS EM FLORES REAFIRMA FORÇA DA MANIFESTAÇÃO EM PERNAMBUCO

Aconteceu, no dia 11 de dezembro, o Encontro Estadual dos Bacamarteiros de Pernambuco, organizado pela Fundação Pedro Daniel, no distrito de Fátima, na pessoa do Dr. Nelson Tadeu. Além da palestra de abertura, tratando da condição atual do bacamarte em Pernambuco, proferida por Ivan Marinho, presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, o encontro teve o privilégio de contar com palestra do Ten. Humberto Teixeira sobre legislação e regulamentos relacionados ao bacamartismo.

No segundo momento os bacamarteiros discutiram sobre a fundação da Federação Pernambucana de Bacamarte e, por aclamação, decidiram que, no dia 29 de janeiro, na cidade do Bonito, será elaborado o estatuto da federação.

É muito importante que haja a participação de todas as lideranças bacamarteiras do estado, a fim de que as resoluções possam abranger todo o espectro de particularidades regionais, bem como para fortalecer a iniciativa que, sobretudo, pretende ampliar a comunicação, a formação técnica de produtores culturais na área e a afirmação visível de que o bacamartismo em Pernambuco é um exemplo de grande fraternidade popular.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Encontro em Flores

terça-feira, 10 de agosto de 2010


terça-feira, 27 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

FESTEJAR A VIDA

Por Ivan Marinho*

O livro A Alma do Homem no Socialismo, de Oscar Wilde, me encorajou a retomar questões da adolescência que pensei não mais encontrar espaço de reflexão. Como escrevo diário desde os 16 anos, posso comparar os universos da juventude e a da pretensa maturidade. Morro de rir com as certezas de outrora e de chorar com as incertezas de hoje.
Duas experiências trago da infância que me põem inquiridor com relação ao destino humano: A da criação de pequenos mundos a partir de brinquedos que representavam a realidade e a de desenvolver, conscientemente, imagens com os olhos fechados. Inventar o próprio olhar foi o produto destas vivências, acrescidos pela possibilidade de gratuidade de experiências prazerosas com a própria imaginação. Tudo aquilo punha na berlinda a necessidade de poder.
Quando iniciei este texto ainda não havia ido à Cupira, cidade do agreste pernambucano, para a fazenda de Seu Luiz. Já me haviam comentado sobre o caráter lúdico e, por que não dizer, dionisíaco da festa de São João em Cupira, no entanto, me faltava fé para acreditar que em pleno séc. XXI, com a hegemonia do Mercado, com a competitividade instituída e aclamada, pudéssemos, no seio de uma classe média/alta, encontrar uma ação tão despojada de interesses, a não ser o de festejar a vida. Seu Luiz disse que aquela brincadeira vinha da época de seu avô e que seu pai, antes de morrer, pedira que seus filhos dessem continuidade. Pois é, como bem diz o capitão Bidel, da SOCIEDADE DOS BACAMARTEIROS DO CABO, “é muita comida, muita bebida, muito forró e muita ‘póiva’ (pólvora)”. Tudo passa da conta e a porteira é escancarada para todos da cidade e de fora. Encontramos gente do batalhão de Bonito, Cortez... e o grupo inteiro de Abreu e Lima, comandado pelo jovem bacamarteiro Boy.
Os tiros aconteceram praticamente sem intervalos. Cinco mil cartuchos. Os bacamartes ficavam em brasa e o estímulo sensorial contínuo deslocava a realidade externa, criando uma aura circunscrita àquele espaço e àquele tempo, num êxtase unificador, onde se diluíam todas as diferenças, todas as intenções.
Fizemos muitas apresentações nesse festejo junino: caminhadas pelo Recife, patrocinada pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, apresentações para o Trem do Forró, entre tantas outras, no entanto, nada nos deixou com o sentimento de plenitude como nos deixou a festa de São João de Cupira, na fazenda de Seu Luiz.
E não se pense que foi pela gratuidade da comida, bebida e pólvora, pois isto é condição mínima quando se trata da brincadeira do bacamarte, mas pela gratuidade das intenções, que tinha como único interesse festejar.
A partir de experiências como esta é que podemos compreender o Oscar Wilde quando fala do sacrifício de alguns em se dedicar ao poder e a riqueza.

*Professor, especialista em Economia da Cultura pela UFRGS.

sábado, 3 de julho de 2010

Ivan Marinho,

Conforme nosso contato telefonico nesta data, quero dizer que você não esta só nesta luta de resgate da cultura dos bacamarteiros de Pernambuco. Desenvolvemos um trabalho no vale do Pajeu com relação ao resgate da cultura do Bacamarte. Estamos preparando grupos de pessoas que são a muitos anos praticante desta cultura nos festejos juninos com bacamarte para legaliza-los através de associações. Já temos organização em associação a cidades de Afogados da Ingazeira, Carnaiba, Flores e Custódia. Temos noticias de associação em Serra Talhada, Santa Cruz da Baixa Verde ou Triunfo.Aguardo contato seu para nos conhecermos pessoalmente e iniciarmos um trabalho conjunto para reforçar sua luta em prol da cultura dos bacamarteiros de Pernambuco. Somente através da organização e mobilização seremos fortes para promover o devido reconhecimento do poder publico.

Nelson Tadeu Daniel.Fundação Cultural Educacional Pedro DanielUnião Brasileira dos Municípios - UBAM - Pernambuco.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ivan Marinho detonando em Amaragi


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Bacamarte em Pernambuco

“Em 1964, oito homens, estimulados por um mecânico habilidoso, inauguram na paisagem cabense ‘uma brincadeira’ que ali ninguém conhecia”. Com estas palavras, o acadêmico pernambucano, Olimpio Bonald Neto inicia em parte de sua pesquisa, incentivada pelo então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (IJNPS) e publicada em seu boletim de número 12, em separata, no ano de 1965, tratando do surgimento da brincadeira, denominada Bacamarte, no Cabo de Stº Agostinho. Dois anos depois a pesquisa toma forma de livro e é lançado pela Editora Arquimedes do Rio de Janeiro, dedicando três de seus capítulos à história do bacamartismo nas terras encontradas pelo navegador espanhol Vicente Pinzòn em janeiro de 1500.
Não seria por acaso que Olimpio Bonald destacaria a Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo - SOBAC. O poeta e ensaísta, com sua sensibilidade antropológica, já pressentia a importância estratégica da SOBAC para a permanência e adequação daquele folguedo aos tempos modernos. E a estratégia demandada foi montada pelo torneiro mecânico José Alves Bezerra – o Zé da Banha -, um imigrante da cidade de Altinho, atraído para as plagas cabenses pelo recorrente desenvolvimento da indústria.
Surgia então, em 1º de maio de 1966 – a data também não é coincidência – a primeira organização bacamarteira com perfil operário, inovando com a criação de estatuto e regimento, constituindo-se como pessoa jurídica, qualificando técnica e esteticamente o equipamento de detonação (os bacamartes), implantando o grupo de primeiros socorros e, até, criando uma escola específica para filhos de bacamarteiros. Um grupo jovem que, ancorado na organização, projetou-se como exemplo para todo estado de Pernambuco e ocupou espaço nas programações joaninas da capital pernambucana, popularizando ainda mais o folguedo predominantemente sertanejo e agrestino.
Passam-se anos, décadas, século e os homens – agora também mulheres – vestidos de zuarte, que trocaram a guerra pela festa, permanecem firmes com suas pesadas reúnas que escrevem, com seu estrondo, o código identitário desta nação guerreira alcunhada de Leão do Norte.
Como predestinada à vanguarda do bacamartismo, a Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, retoma em 2007 suas responsabilidades originais e, novamente com apenas oito homens, organiza o Na Pisada do Bacamarte, uma inspiração de Marcelo Varela, com patrocínio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, reocupando com vários grupos o cenário da capital, depois de mais de 20 anos de ausência; cria a primeira inserção bacamarteira na internet com o blog www.bacamarteirosdepernambuco.blogspot.com ; puxa, junto com bacamarteiros de Abreu e Lima e Bonito, as primeiras reuniões de fundação da Federação Pernambucana de Bacamarte; aprova, pela primeira vez através de edital público de incentivo, o projeto de Ponto de Cultura Bacamarte: Tiro da Paz, onde reinicia um processo de reestruturação do grupo, oferece oficinas de pífanos, xaxado e percussão, além de um curso de informática objetivando a inclusão digital de filhos de bacamarteiros, na maioria dos engenhos cabenses e, acossada por ações policiais e judiciais que levaram à prisão o mais importante artesão de bacamarte do Brasil, o mestre Lenilson Ferreira da Silva e apreensão de reúnas, abriu discussão com parlamentares, com o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), com o Ministério da Cultura (Representação Regional) e com o Exército Brasileiro a fim de dirimir os equívocos provocados pela falha legislativa de não incluir na redação final do Sistema Nacional de Armas (SINARM) o brinquedo folclórico pernambucano. A partir de uma reunião em Caruaru, solicitada pela SOBAC, o Exército, representado pelo Ten.Cel. Nogueira e o Ten. Arlindo, com a presença de dois policiais federais e várias lideranças bacamarteiras de várias regiões do estado, deu início a criação de uma Instrução Regional que tramita, no momento, em instâncias responsáveis por sua avaliação e que, se deferida, porá fim, definitivamente, às más interpretações que confundem mestre da cultura popular com bandidos.

Ivan Marinho
Professor, especialista em Economia da Cultura pela UFRGS.
Membro da Academia Cabense de Letras.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

sábado, 25 de abril de 2009

prisão de artesão de Bacamarte

Caso de prisão de artesão de Bacamarte mobiliza personalidades e políticos defensores da Cultura Pernambucana

A notícia da prisão pela Polícia pernambucana do armeiro Lenilson Ferreira da Silva, responsável pela produção de peças de brinquedo para o folguedo do Bacamarte vem mobilizando o Presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, Ivan Marinho de Barros, junto a políticos e pessoas influentes em Pernambuco. Ivan Marinho emitiu uma carta considerando equivocada a informação que vem sendo veiculada em alguns informativos sobre o caso.

De acordo com Ivan Marinho, não há justificativa para tamanho equívoco da Polícia. Vivendo em Belém de Maria, onde, sequer, existe telefonia celular e a vida é simples e rotineira, o armeiro foi preso pela primeira vez porque deixara atrasar o registro na Polícia Federal. “É explicável o incidente pelo fato da simplicidade, da honestidade despojada daquele artesão e da quase que incomunicabilidade daquela estância”, explica Marinho.

Ontem, Ivan Marinho conversou com o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que ficou indignado com a ação policial. “Ao contrário do que se diz, a Polícia não prendeu um bandido com armas de grosso calibre, mas um artesão reconhecido em todo estado de Pernambuco por servir a diversos grupos de um brinquedo folclórico centenário e prevalescentemente pernambucano”, sentencia o Ministro.


O que se espera de agora em diante, segundo o Presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, é que haja a retratação da “irresponsabilidade” pelo caso.


Marinho lembra que estava programada uma manifestação na praça dos Três Poderes, no centro do Recife, com cem bacamarteiros, mas, devido a formação de uma caravana formada por advogados, parlamentares, Ministério da Cultura, Sociedade dos Bacamarteiros, que irá na segunda-feira, 27, em vários municípios para tratar do assunto in loco, a prevista manifestação aguardará pelos resultados.

Hoje, sábado, 25 de abril, o Ministério da Cultura e a Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, fizeram contato com a Polícia Federal, Secretaria de Segurança, Secretaria de Direitos Humanos, Iphan e várias personalidades políticas, intelectuais e jurídicas do estado. “Será que uma pequena e insignificante fração da polícia de Pernambuco não sabe distinguir armas do crime de armas da paz? Isso é um tiro em nossa dignidade!”, dispara Marinho.

Tereza Soares.

Jornalista.


Contato do presidente da SOBAC:

Ivan Marinho

Presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo,

Cont. 87551323 ou 94519085

contato com o blogueiro:

ivanmarinhofilho@gmail.com

quinta-feira, 9 de abril de 2009

sábado, 28 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

FESTEJAR A VIDA

FESTEJAR A VIDA
por Ivan Marinho

O livro A Alma do Homem no Socialismo, de Oscar Wilde, me encorajou a retomar questões da adolescência que pensei não mais encontrar espaço de reflexão. Como escrevo diário desde os 16 anos, posso comparar os universos da juventude e a da pretensa maturidade. Morro de rir com as certezas de outrora e de chorar com as incertezas de hoje.
Duas experiências trago da infância que me põem inquiridor com relação ao destino humano: A da criação de pequenos mundos a partir de brinquedos que representavam a realidade e a de desenvolver, conscientemente, imagens com os olhos fechados. Inventar o próprio olhar foi o produto destas vivências, acrescidos pela possibilidade de gratuidade de experiências prazerosas com a própria imaginação. Tudo aquilo punha na berlinda a necessidade de poder.
Quando iniciei este texto ainda não havia ido à Cupira, cidade do agreste pernambucano, para a fazenda de Seu Luiz. Já me haviam comentado sobre o caráter lúdico e, por que não dizer, dionisíaco da festa de São João em Cupira, no entanto, me faltava fé para acreditar que em pleno séc. XXI, com a hegemonia do Mercado, com a competitividade instituída e aclamada, pudéssemos, no seio de uma classe média/alta, encontrar uma ação tão despojada de interesses, a não ser o de festejar a vida. Seu Luiz disse que aquela brincadeira vinha da época de seu avô e que seu pai, antes de morrer, pedira que seus filhos dessem continuidade. Pois é, como bem diz o capitão Bidel, comandante do batalhão de bacamarteiros do Cabo, “é muita comida, muita bebida, muito forró e muita ‘póiva’ (pólvora)”. Tudo passa da conta e a porteira é escancarada para todos da cidade e de fora. Encontramos gente do batalhão de Bonito, Cortez... e o grupo inteiro de Abreu e Lima, comandado pelo jovem bacamarteiro Boy.
Os tiros aconteceram praticamente sem intervalos. Cinco mil cartuchos. Os bacamartes ficavam em brasa e o estímulo sensorial contínuo deslocava a realidade externa, criando uma aura circunscrita àquele espaço e àquele tempo, num êxtase unificador, onde se diluíam todas as diferenças, todas as intenções.
Fizemos muitas apresentações nesse festejo junino: caminhadas pelo Recife, patrocinada pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, apresentações para o Trem do Forró, entre tantas outras, no entanto, nada nos deixou com o sentimento de plenitude como nos deixou a festa de São João de Cupira, na fazenda de Seu Luiz.
E não se pense que foi pela gratuidade da comida, bebida e pólvora, pois isto é condição mínima quando se trata da brincadeira do bacamarte, mas pela gratuidade das intenções, que tinha como único interesse festejar.
A partir de experiências como esta é que podemos compreender o Oscar Wilde quando fala do sacrifício de alguns em se dedicar ao poder e a riqueza.
(julho de 2008)

domingo, 15 de julho de 2007

FESTA DO BACAMARTEIRO EM BONITO - PE - 2007


sexta-feira, 18 de maio de 2007

SOBRE PROCESSO JUDICIAL DO ARTESÃO DE BACAMARTE LENILSON FERREIRA

Dia 06 de agosto aconteceu a primeira audiência com o artesão de bacamarte Lenilson Ferreira da Silva. O caso da prisão de Lenilson foi comentado neste blog em edições anteriores (vide).

Estiveram presentes à audiência a juíza Drª Jacira, o promotor George Vieira, o réu Lenilson e as testemunhas de defesa Cel. Carlos Nogueira, o presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, Ivan Marinho, o presidente da Associação de Bacamarteiros de Abreu e Lima, José Carlos (Boy) e um senhor amigo da família do artesão que não me vem o nome. As testemunhas de acusação, um soldado e um cabo da PM, faltaram.

Recolhidos os testemunhos de defesa, resta aguardar a audiência com os acusadores para terminarmos de vez com este caso que tanto tem prejudicado o folguedo do Bacamarte em Pernambuco.

Em resposta ao pedido de mudança no decreto que regulamenta Estatuto do Desarmamento, feito pela Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo – SOBAC para o presidente da república, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, através do Ministério da Cultura, tivemos o De Acordo tanto do Ministério da Cultura quanto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o pedido foi encaminhado ao Ministério da Justiça e está sob a análise do Dr. Aldo Campos da Costa, assessor do ministro. Existe também a possibilidade de patrimonialização nacional do brinquedo.

É importante registrar, também, que assessorado pela SOBAC, o gabinete do deputado estadual (PT) Sérgio Leite encaminhou projeto de lei de patrimonialização material e imaterial do bacamarte e dos bacamarteiros no estado de Pernambuco.

Viva o Bacamarte Pernambucano!



Ivan Marinho de Barros Filho

Professor, especialista em Economia da Cultura e presidente da SOBAC.

Encontro Pernambucano de Bacamarteiros

Aconteceu, no dia 20 de março, o VI Encontro pernambucano de Bacamarteiros. O evento contou com a representação do Exército Brasileiro, Cel. Nogueira, com o dono da Fábrica de Pólvora Elefante, Carlos Arthur, com a Representação Regional do Ministério da Cultura, Augusta, com representante do legislativo estadual, Dep. Sérgio Leite(PT) e com várias lideranças do folguedo no estado, bem como com dez pelotões de bacamarteiros, reunindo cerca de 500 brincantes.

O Encontro reafirmou a força do brinquedo e o repúdio às discriminações, como as que acontecem no Cabo de Stº Agostinho e às ações policiais e judiciais que, equivocadamente, têm caído sobre a manifestação.

O IV Encontro, com um mínimo de investimento público/privado, mostrou como é forte o sentimento fraterno dos bacamarteiros de Pernambuco, que vieram por conta própria festejar a vida e o prazer do sentimento gratuito.

NA PISADA DO BACAMARTE

O encontro de quatro grupos de bacamarteiros no ano de 2007 (Cabo, Abreu e Lima, Tamandaré e Bonito), apoiado pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, no evento intitulado Na Pisada do Bacamarte, trouxe à tona a importância do brinquedo e as discussões sobre seu estado atual e estratégias para seu fomento e desenvolvimento. Naquele mesmo ano foi aceito um anti-projeto de pesquisa que trata da cadeia produtiva e das relações institucionais do Bacamarte pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) através da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), garantindo uma vaga no curso de Economia da Cultura. O encontro teve cobertura dos principais jornais do estado e da mídia televisiva e de rádio.
Além disso, alguns grupos começaram a se reunir sistematicamente, no sentido de organizar a Federação Pernambucana de Bacamarte e está sendo apresentado no FUNCULTURA o projeto de Encontro Pernambucano de Bacamarte.
Este ano o evento acontecerá a partir das 15 horas do dia 18 de junho, quarta-feira, quando sairá da Praça Maciel Pinheiro em direção ao Marco Zero (pela r. da Imperatriz e Nova) e contará com a participação dos grupos de Bonito, Cabo, Abreu e Lima e Cupira.
O brinquedo tem caráter inclusivo, atingindo desde as crianças como os velhos e, alguns dados ainda empíricos, fazem notar seu crescimento em número e qualidade nestes últimos anos.

BACAMARTE: O TIRO DA PAZ

Muitas são as especulações em torno da origem do Brinquedo Bacamarte. Concentra-se, com mais rigor, a versão de que a brincadeira tem origem nas comemorações dos que voltaram da genocida Guerra do Paraguai. Com relação à arma grande parte dos pesquisadores opina que tem sua versão original no Clavinote holandês do séc. XVII ou na Granadeira do Sistema Miniée francês, de meados do séc XIX.A arma é citada em Os Sertões, por Euclides da Cunha, como parte do arsenal bélico dos “fanáticos” na histórica e altiva Canudos do beato Antônio Conselheiro.Em 1966, o I.J.N.P.S. publicou, de Olímpio Bonald Neto, o livro Bacamarte, Pólvora e Povo, pelas Edições Arquimedes – RJ, desencadeando debates e estudos sobre o assunto.Depois de longo período de ações espontâneas, às vezes de até um único indivíduo, surgiram grupos no sertão do estado, vindo a predominar, motivados pela vocação artesanal e comercial, na Princesa do Agreste, como é conhecida a cidade de Caruaru.Estima-se que em 1930 cerca de 600 homens foram vistos, “vestidos de mescla azul, alpercatas e chapéus de palha quebrados na testa”, desfilando “pela rua da Matriz, sob o comando do fazendeiro Antônio Martins, então apaixonado pelos tiros no Monte Bom Jesus”, nos relata Olímpio Bonald.Nos comunga a pesquisa supracitada que “José Martins Filho, descendente de grande fazendeiro da região” agrestina “desde criança ouvia os mais velhos referirem-se aos atiradores de João Barbosa, avô do cap. Eliel, que viveu entre os fins do século XIX e os primeiros decênios do século XX”.Muito estreita é relação do brinquedo com o misticismo religioso e, tanto em juazeiro quanto em São Severino dos Ramos, “os romeiros detonam as suas armas saldando dívidas de saúde ou de fortuna”. Grande parte dos grupos cumpre ritual religioso de apresentação das armas em frente a igrejas e de saudações aos santos padroeiros ou festejados.Muitos líderes e atiradores marcaram presença em suas estâncias tornando-se vultos das histórias oral e escrita dos povos, como o cap. Eliel do 333 e o major Emídio do Ouro do Batalhão Independente, que substituiu o cap. Eliel quando este se ausentou, forçado pela sina malograda dos retirantes em busca da sobrevivência, para terras que não a sua.Encurtando a história, de forma espontânea e como se a compensar os infortúnios e desilusões do até hoje ultrajado povo brasileiro, a brincadeira chegou ao séc. XX, ocupou espaços urbanos, como o Sítio da Trindade, o Caxangá Golf Club, o Pátio de S. Pedro... E, como pólo industrial em ascensão desde a década de 1950, o Cabo, a partir do encontro de sete emigrantes sertanejos e agrestinos e um cabense, iniciou-se o grupo no município, formando a primeira Sociedade de Bacamarteiros enquanto pessoa jurídica em 1º de maio de 1966, existente até hoje.Além desses aspectos de organização, como o estatuto e a orientação regimental, o Cabo inovou com suas armas niqueladas e um corpo de enfermagem para atendimento de primeiros socorros.A Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, comandada à época pelo torneiro mecânico Zé da Banha, se tornou um dos maiores grupos do estado e efetivou participação de destaque nos festejos juninos de toda região metropolitana, principalmente na capital.É importante lembrar que, antes do Zé da Banha, muitos bacamartistas isolados detonaram suas riunas no nosso território, tendo na figura de Manuel Pão sua maior expressão, remontando os idos de 1870, como foi resgatado pelo historiador Israel Felipe no Arquivo Público – imprensa oficial, Recife, 1962, pág. 244, e publicado na sua minuciosa História do Cabo.Infelizmente, no ano passado, cinco pessoas atiraram nos Trens do Forró em detrimento da tradicional Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, que depende desses contratos sazonais para garantir o desenvolvimento do grupo. Exclusão como aquela nos tira do pário de pujança onde estivemos e que hoje se reserva a grupos de municípios sensíveis a causa da cultura nacional.Este ano a Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo abriu a maior festa da cultura regional, a Festa da Lavadeira, participou da organização e vai compor o Encontro de Bacamarteiros do Recife, promovido pela Fundação de Cultura, do Encontro de Bonito, de Moreno e de Abreu e Lima.

A pesquisa para elaboração deste texto foi feita na obra Bacamarte, Pólvora e Povo de Olímpio Bonald Neto.

Prof. Ivan Marinho: Presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, artista plástico, professor, especialista em Economia da Cultura pela UFRGS.
ivanmarinhofilho@gmail.com